comunista desejosa de glamour hollywoodiano. anarquista com apego material a coisas emocionais. plagiadora que exige direitos autorais



terça-feira, 7 de outubro de 2014

Gosto de sujo de propaganda

(primeiro exercício do ateliê de dramaturgia, feito em 7 de agosto de 2014)

Gosto de sujo de propaganda.
Lá na esquina.
Lá na esquina, esta palavra carregada de Clube que me causa cansaço e ressaca de tanto ouvir e ouvir vinil velho. Mas eu gosto.
Eu gosto da esquina.
Lá na esquina, hoje, ele passou por mim.
Ele passou por mim.
Na esquina em que Odilon/Djavan cantava e dançava como deus e foi atropelado e que ainda não sei, ainda não sabemos se ele morreu ou não.
Lá na esquina de Odilon mendigo deus atropelado, ele passou com sua cara estampada numa Kombi, junto de um 45 e um coração vermelho.
Meu coração é vermelho e me assustei quando ele falou comigo.
Meu coração é vermelho repito. não é mensagem subliminar.
A propaganda falou comigo, e eu de coração vermelho.
Ele, o neto do primeiro presidente civil depois de uns 20 anos de generais e que morreu antes da posse. (quando pequena eu já identificava a arquitetura de Niemeyer, mas não entendia bem as palavras. Achei que ele seria velado na Pampulha).
Ele me disse: comei todos e bebei.
ELE me disse: comei todos e bebei?
A foto do playboy falou comigo! Menina! Ele dizia. A foto do playboy falou comigo! Menina! Ele dizia.
Ele dizia: há muitos e muitos anos atrás (badaladas de sino de São João Del Rey) Jesus multiplicou os pães. (badaladas de sino de São João Del Rey) Transformou água em vinho! (badaladas de sino de São João Del Rey). Ele dizia e eu perplexa gargalhava junto com os sinos. E mandou espalhar a boa nova.
 E mandou espalhar a boa nova!
 E mandou espalhar a boa nova!

Que boa?
Que nova?
O que ele queria dizer com isso?
O que ele queria dizer com o que dizia? 
Quele dizia?
Ele queria dizer que a história é nova?
Ele queria dizer que a notícia corre?
Ele queria dizer que mentira velha vira verdade?
Borba Gato nunca esteve em Sabará?
Saiu no Estado de Minas?
O que o Estado de Minas queria dizer?
O que dizer do Estado de Minas?
Minas não há mais.
O que dizer?
Ele disse: o que dizer?
Estou embriagado. Ele disse
Estou orando. Ele disse.
Estou chorando. Ele disse.
Você chora? Eu disse.
Eu também. Eu disse.
Ele disse que Jesus foi para o deserto e foi seguido pela multidão.
O que é ser seguido? Ele não sabe.
Ele não saberá nunca.
Ele estava de ressaca.
Ele estava emotivo.
Ele estava atropelado por um ônibus.
Ele estava vazio como a serra do curral.
Ele é só um retrato triste do curral.

Mas e aí, playboy, dói? (badaladas de sino de São João Del Rey).

sexta-feira, 25 de julho de 2014

amanheci vanguarda, genia e emancipada!

eu não tenho mais idade para pobre de espírito. não tenho mais tempo pra larápio. não tenho saco pros mesquinho. tenho muito o que fazer.
e vou continuar vivendo
vou continuar fazendo.
quem não quiser fazer comigo que me copie depois.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Estou à venda, estive à venda. Estou cansada.  De tal forma que tudo é ruim. E minha cabeça dói. E não sei o que fazer. Que lado seguir. Entender o que eu quero com isso tudo. De repente tudo se perde de novo.  Tempo de pensar. Antes de enlouquecer. Continuar. Antes de enlouquecer. Eu não me poupo eu não me pouco.
É isso.
O que eu fiz até aqui. Isso é só pra eu não me perder. Antes de me perder eu tenho que entender. O que eu fiz até aqui. Isso é pra eu não me perder.
Uma porção de livros. Frases e expressões minhas no facebook.  Uma vontade de sumir por uns tempos. Dada a minha incapacidade de desligamento desse mudo disperso e pouco.
TPM, ansiedade ou o que for. Eu tô loca aqui. Eu tô loca aqui. Estou a venda. Estive a venda. Estou cansada. E minha cabeça dói. E não sei que fazer. Que lado seguir. Entender o que eu quero com isso tudo. De repente tudo se perde de novo. Tempo de pensar. Antes de enlouquecer. Continuar. Antes de enlouquecer. Eu não me pouco eu não me poupo.

É isso.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014


Eu nunca tive cachorro na infância. Quer dizer, tive um, que ficou três meses no meu apartamento, pra desespero de Laninha e depois foi pra fazenda, onde ele definitivamente foi muito mais feliz, longe do motor da máquina de lavar, perto de outros cães e no meio do mato.
Sempre fui um tanto seca com animais de estimação, como boa menina de apartamento.
Mas como toda boa menina de apartamento, eu sempre sonhei com casa com cachorro e quintal.
E de repente passei a tê-los em casa, uma casa que, apesar de todas as evidencias em contrário, tem quintal.
Tem um muro escrito There is no Place Like Home no meu quintal.
Tinha um cachorro que sentava do meu lado quando eu chorava, ou quando eu simplesmente ficava sentada de frente para o muro do quintal.
Não aprendi de pequena como cuidar de um cachorro. Cuidar dos dentes, cortar as unhas, dar banho com xampu próprio para cães, ração própria para o tamanho, raça e idade.
Os cães que convivi na infância comiam angu.
Os cães que convivi na infância, andavam sozinhos na rua.
Os cães que convivi na infância não dependiam de mim...
Fui aprendendo a cuidar de cães na cidade grande depois de adulta e vir morar sozinha. Depois de ter a minha casa. Sim, esta é a minha casa. A casa que tem o escrito no muro.
Eu tropecei sim, e ainda tenho muita antipatia de pet shop, e tantos produtos caros pra cães e gatos. Não consigo levar a sério uma veterinária que sugere acupuntura para cães.
Isso tudo é muito pessoal. Não tô criticando ninguém. Sô filha de um veterinário que foi socialista na juventude e que sempre teve birra de cachorro de madame.
Talvez por isso eu seja assim tão displicente.
Mas ninguém pode negar que eu tive um cão. E que tivemos uma história. Eu nunca imaginei que diria isso, por que nunca liguei muito pra animais de estimação. 
Hoje eu tô chorando por causa de um. Que morreu no meu colo, e que eu custei a perceber, ou acreditar.
Hoje eu tô chorando por que eu fiquei sozinha em casa e nem ele tava aqui pra me fazer companhia. 

Hoje eu tô chorando tanto que acho que nunca mais vou ter um cão. Só se eu um dia for morar na roça, e ele possa comer angu, andar pela rua e ser livre de mim.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Bom dia.
Eu digo, bom dia.
Amanheci sem escrever mais uma vez.
Aconteci oca essa manhã
Desaconteci.
Não tomo remédios mais.
E atuo, em algum lugar.
tô viva.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Banana rosa de mim mesma (não, isso não é uma mea culpa, é só uma reflexão do umbigo que abarca a vida toda)

Tenho pensado muito nisso. Minha informalidade é o meu maior pecado. Mesmo sendo um pecado que às vezes levanto como bandeira de virtude.
Minha informalidade fere o brio de muita gente. Tenho pensado muito nisso. Muita gente faz cara feia pra minha INFORMALIDADE. Mas eu te garanto que eu me estrepo muito mais que qualquer um por causa disso. Sou informal, marginal, amadora e quase velha. E dura.
Daí eu decidi, mais uma vez em levantar bandeira: em teatralizar/ESPETACULARIZAR o meu maior pecado. Por que entre a formalidade e o ritual, continuo sendo hippie. Vai saber onde eu vou parar.

Deu pra entender? Eu ainda não sei se eu entendi. Mas vamo lá.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

comitê de escracho permanente

Noite Belo Horizontina ou comitê de escracho permanente:
(na minha porta, no meu peito no meu cigarro)
Deriva
Deriva
Deriva
(Dia. Dia comum. Rua movimentada). Uma mulher e um megafone no centro da Praça Sete.  Set de filmagem ou escracho cinematográfico.
-Obelisco
Obelisco
Pelourinho
Pirulito
Paralelepípedo. 
Paralelepípedo .
Proparoxítona.
Flácido, tráfego, bêbado, trôpego.
Modigliani!
Chico Buarque de Hollanda merece o nosso respeito.  Pablo Picasso sabia muito bem roubar idéias e fazer mulher chorar!
Chuta a família mineira, e depois traz pra mim um café, Nice.  Madame Bovary “Ce moá” “cé moá ““ce moá”.
(discursa sozinha, dá ordens, dirige uma superprodução).
- Gente! Gente! Por favor! O trem já vai sair!
Villa Lobos nos aguarda na Casa do Conde de Santa Maria para maiores informações.
Não sei se os caipiras avançaram. Pergunte a produção. Pergunte a Santa Maria!
Pergunte a Nossa Senhora da Bad Trip!
A última palavra de Picasso: MODIGLIANI
A última palavra de Prometeu: Resisto!
A resistência e a desobediência civil já podem se posicionar.
Vamos fazer um teste.
Todos os triângulos rosa!
Atenção todos os triângulos rosa! Por favor, juntemonos  no trenzinho. Tem espaço na vã.
Carlos? Carlos? Por favor, Carlos? As britas estão no meio do caminho. Preciso que faça para mim um castelinho de areia, sim? Coloque o castelo dentro da Kombi, quando terminar.
Senhor Adolph Hitler! Adolph Hitler! Antes de o senhor saltar do viaduto da Floresta é preciso é preciso é...
Não se atreva a subir no viaduto Santa Teresa!
Índios de Gothan City não comece ainda. E não deem ouvidos ao pastor.
O solilóquio do índio Acaiaca começa em cinco minutos.
Quando foi a ultima sessão de cinema?
E o que foi feito de Vera?
Senta no cimento que a barricada tá embalada a vácuo.
Eu quero Chacrinhas de açúcar e Julieta no balcão! Onde está Julieta?
Julieta! Eu sei que você está aí. A luz está acesa!
Agora todas as janelas do Iphan, vão se abrindo lentamente...
Eu quero todas as janelas!
De novo: Todas as janelas! O que acontece com as janelas do meu quarto?
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?)
Olha a chuva!
É menrtira!
Anarriê!
Tur!
Ó Esteves!
Não precisa a metafísica! Só um pouco de areia brita e água.  Se ainda tem ferro nas almas, te garanto que o barroco ainda escorre do concreto.
Não é o trem. Foi o metrô. O metrô não, o trem. Não o trem, mas o trem. O trem.
Trem.
Gostaríamos de agradecer a Cia. Valle del Rio Dulce, por nos proporcionar este belo momento. Sem a Valle jamais realizaríamos este trem.
Não se reaproximem do Minas Tênis Clube a essa altura do campeonato.  E não alimentem os quatis. A minha vida é essa! Criar desumanidades na grande roça, elefantes e mineiros não esquecem jamais, dizem que gostam de amendoim, e não é ilusão de ótica, é mágoa subindo ladeira em ponto morto.
Descer floresta enquanto o lobo não vem.
Ok, Carlos... Quando foi mesmo que você subiu a Bahia nu?
Alguém te deu crédito? Senhor de costas para o mar?
É preciso cantar. Antes de expulsar mais uma geração pra ver a lagoa.
Cantar o quê? Porra! E não me pegue no braço! Sou jacu.
Pianinho. Pianinho. Pianinho.
Eu vou aprender a cantar só.
Coro de morcegos e todo o trânsito do viaduto aos seus postos.
Adolph já pulou? Por quê? Quem mandou? 
Arranjem outro. Pode ser o prefeito. Quem está na janela redonda?
Julieta por que apagou a luz?
O curral, a serra e o rey.
O curral, a serra e o rey.
O curral, a serra e o rey.
Ah minha vida toda!
O curral, a serra e o rey.
Não se aproximem do IPHAN!!
Um espectro ronda.

Uma mágoa barroca ronda nossos ombros.

Só a dor de cotovelo nos UNE.

Não temos passe livre.

Ainda.

Carlos? Carlos? E agora?
(continua)



terça-feira, 17 de setembro de 2013

perdão.

sábado, 14 de setembro de 2013

Belo Horizonte
Tem horas agora que eu quero te largar, te deixar pra trás, te esquecer como nunca quis antes. Tem hora que eu quero cuspir nesse asfalto e rasgar uma a uma minhas cartas de amor que te fiz e queimar num coreto qualquer. Numa pracinha qualquer, numa esquininha qualquer, num butiquim qualquer.
Tem horas que eu olho pra você e você me joga na cara todo o meu sonho de coletivo, de grupo, de história, de teatro, de amor, de amizade, de historinha nova, e me joga fora dentro de um bueiro sujo entupindo uma Cristiano Machado inundada de carros, descaso, propagandas do Aécio, água e BRT.
Tem horas que eu não sei o que fazer com esse trem. Esse trem que de repente esvaziou. Meu coração precisa te esquecer pra voltar a te amar.
Não sei se a bupropiona vai me fazer esquecer, vai me fazer fumar menos, vai me fazer doer menos a vontade de depois que dói o externo e deixa tudo nublado.
Cada dia guardo um olhar diferente pra você. E nesse momento você só me dói. Só me dói.
Não ouso dizer que te odeio, mas eu te odeio.
Te odeio por toda madrugada que te caminhei, por toda boca de lobo, por toda vontade que no fim dá sempre errado, todo mundo! Inclusive eu mirando o próprio cu. Te odeio por todos os teatros fechados, por toda rua com nome de índio, por toda esquina saudosista. Todas as igrejas clubes, savassis, serras, JKs e Niemeyers, te odeio por toda mágoa que eu herdei, por toda essa desconfiança de que alguém vai descobrir onde escondi a porra do queijo, e que o santo é de pau oco, que o progresso tá dentro desse contorno e que a liberdade tá no ponto mais alto. Desse triste viaduto da Abraão Caram. Desse mundinho. Mundinho, que me aprisionei. Te odeio cidade. Te odeio por fazer isso comigo. Te odeio por me trancafiar aqui dentro, sem horizonte horizonte horizonte horizonte.
Cidade eu não rolei no seu asfalto o suficiente, mas de que adiantaria? Adiantaria? Você me amaria? Você não me ama. Você não me ama! Você não me ama. Eu insulto o burguês. Ódio ao burguês! Ódio cidade.
Ninguém vai entender meu escarnio momentâneo pelo curral.  Foda-se. Eu grito do alto dos piolhos entupida de cachaça e os militares não passarão. Eles não sabem o que fazem mas também não sou cristo então eles que se fodam junto com o viaduto, Fernando Sabino e Drummond. O meu nome não é Raimundo, tampouco me importa o mundo nesse sábado de manhã. Hoje não tem carnaval, nem procissão. Mas todas as janelas estão fechadas de luto.
Eu quero muito que isso passe, por que eu preciso te amar. Mas hoje eu te odeio.
Do fundo do meu coração.

Eu tô chorando e já quero te pedir perdão. Mas hoje não. Hoje nada de perdão. Nada. Não.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Teu bom só para o oco, minha falta!
Careta é sua mentira
Careta é o seu dragão que é falso
Careta é seu nariz torto pra mim
Careta é sua cara de mala leche!
Careta é seu desdém
Careta é seu carão empostado
Careta é seu punque empolado
Careta é você num lapso de momento, num ato corriqueiro
Numa dor de cotovelo, numa mágoa guardada, num fracasso qualquer
Representar séculos de patriarcado
Séculos de macho branco sempre no comando
Séculos de burguês burguês
Séculos de mulheres frigidas
Mulheres frágeis
Mulheres que competem entre si
Careta é você querer me dar nome
Careta é você reverenciar qualquer um por medo
Careta é você taxar qualquer um por medo
Careta é você achar que eu já tenho nome
Eu tenho a minha dor,
Eu tenho a minha alegria
Eu tenho a minha medida
Teu bom só para o oco, minha falta
Careta é sua inveja
Careta é vidro espelhado
Vidro temperado
Blindex
Careta é ator de novela de dente branco e sem sombra
Careta é ator de novela não ter poro aparente
Careta é o William Bonner
Careta é achar que só o William Bonner é careta.
Careta é minha TPM triste.
Careta é meu ciúme
Careta é meu egoísmo
Careta é meu rompante
Não meu rompante não é careta por que eu assumo minhas fraquezas
Eu sou fraca
Careta é minha inveja
Careta é meu recalque
Careta é recalque.
Careta é achar que tudo é recalque
Não que eu não goste de Freud
Não que eu não saiba de Freud
Careta é achar que é tudo simples
Careta é achar que é tudo difícil
Careta é não tentar
Careta é não compreender
Careta é repetir modelo antigo
Repetir modelo antigo
(Repetir modelo antigo!)
Mesmo o tempo te pedindo outra coisa
Careta é tanto ajuste
Careta é insistir no desajuste
Careta é sofrer calada
Careta!
Careta é não doer nunca
Careta é doer demais
Careta é achar que eu sou pra casar
Careta a sua mania de não querer quebrar a cara
Careta!
Careta é carro grande que até a maçaneta é maior que a dos outros carros
E reflete pra mim a falta que te faz um pênis grande
Não que eu goste Freud
Não que eu saiba de Freud
Mas careta é você reivindicar um tempo morto
Careta.
Careta.
Careta.
E agora a mesma chuva.
A mesma chuva.
Em mim e em você.
(e chove. eu fumo mesmo assim)

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

segunda-feira, 29 de julho de 2013

yo la peor de todas

Yo la peor de todas
Acho que fraquejei
Não sou poulanista mas sou pomba
Eu debocho de ti e de mim e choro depois
Depois de tanto verbo a pessoa morre
Eu traí o movimento
Tantas vezes
Eu sou só atrevida,
Às vezes.
Eu não serei só que vocês querem que eu seja
Ou o só o que eu quero
Sou só uma atrevida,
E consequentemente dou muito bom dia a cavalo.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

comentário de Maria Cândida (minha mãe) sobre post do dia 10

Impressão errada. A paixão nunca foi meu forte. Ser branda sempre foi em muitos momentos meu pecado, o caminho escolhido por medo ou certeza.
A revolução nunca foi minha opção, o dia a dia sim.
A luta diária nas pequenas coisas por um mundo melhor e uma luta árdua por convicções, coerência pelo mais certo, que tantas vezes perdi, mas tenho tentado não desistir.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

quarta-feira, 10 de julho de 2013

a cada segundo um combate entre o cigarro e a tela do computador a pia e o feed transbordando de informação a recessão da minha conta bancária o mercúrio retrogrado a incertidão dessa pessoa física com 40 reais no banco que será amanhã das minhas responsabilidades de mulher atriz sem salário fixo desempregada dos ofícios tradicionais mas com tv a cabo e internet banda larga o que faz de mim um pouco coxinha mas não sou dada a pesar de tudo a comiseração sucrilhos não sou dada a pesar de tudo a reivindicações danoninho mas o que sou eu aqui então desempregada chorando as pitangas (?) apesar de privilegiada e apesar disso eu fiquei ontem sem me mover fumado sem parar diante das imagens de uma passeata que eu não fui e chorei egoisticamente de ter me privado de estar onde queria e ao mesmo pensando que na primeira passeata eu tinha mais clareza do que eu achava e pensava e a semana passou como um furacão que senti e pensei tanta coisa ao mesmo tempo sem ter deixado nunca a perspectiva esquerdística que herdei de meus pais hoje tão brandos porem justos porem eu radicalizo as vezes por desejo por anseio por não saber de porra nenhuma mas me vi cantando a internacional me vi enxotando enchapelados e mesmo não me arrependendo das minhas ações nos últimos dias só quero dizer que jamais ficarei em casa e sei que tá longe de acabar e longe ter qualquer entendimento eu quero fazer revolução e amor até mais tarde e fumar depois só depois


23/06

meu cigarro

Meu cigarro nasceu da solidão. Meu cigarro nasceu como companhia. Meu cigarro nasceu da avó do mundo de cócoras a fumar durante a criação da Terra. Meu cigarro é herança de índio, que passeou por Hollywood, Hunphrey Bogart Guarany esfumaçou o glamour de meus avós. Meu cigarro nasceu do maço de cigarros do meu vô em cima da TV. Cinco cruzeiros e o troco de bala. Meu cigarro nasceu deitada na rede desperdiçando insônia e sangue olhando pro céu de fumaça. Meu cigarro nasceu da fumaça que encobre meu pensamento de companhia cheia de herança. Meu cigarro é herança de índio que chora na rede dentro da noite ocidental. 
Minha noite ocidental é cheia de cigarro. Meu cigarro é fruto de pecado de pulmão. Meu cigarro é oficina em plena atividade de ociosidade no ocidente de não sei quando ou onde, meus amores... Meu cigarro é fruto de se eu continuar assim minha ansiedade me mata aos quarenta. Meu cigarro tem cara de comercial dos oitenta. Meus noventa começam com cigarro. E meu segundo cigarro tem gosto de menta.

Meu cigarro agora e só agora tem cheiro de Morrissey, mesmo sempre sido a cara do Nelson, e com a garganta de Rorô sempre sendo Nair Belo. Meu cigarro dói de fôlego, por 17 anos, alguns namoros, um casamento e uma dúzia de peças de teatro. Meu cigarro grita nas minhas roupas, no meu cabelo e no nosso beijo. Nosso casamento tem cigarro e se um dia não tiver, por favor, continue me amando. Por favor, continue me beijando. Meu cigarro também tem algumas janelas e meio fio como herança de melancolia sem libido de uma estrada de minas pedregosa do caralho. Meu cigarro também é volver a los diecisiete violeta violenta com la frente marchita de memória. Meu cigarro também não dói de metafísica. Meu cigarro é o que de mais concreto da minha dor se acomodou como catarro no meu peito.


Marina Viana
Fumante há 17 anos.
Fuma dois maços por dia.

Traga até charuto.

terça-feira, 9 de julho de 2013

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Lester Bangs de Garagem. Aqui de Casa.


NA GELÉIA GERAL BRASILEIRA QUE O MIMEÓGRAFO brinca de ANUNCIAR, O QUE ESTÁ NA PRAÇA O QUE ESTÁ NA PRENSA, O QUE ESTÁ NA SALA DE CASA, NA GARAGEM, PRONTO PRA SAIR E DEIXAR DE SER PROMESSA.

Eu sempre gostei da “historinha”. Por que a gente monta uma banda com os colegas na garagem de casa? Historinha. Grupo de teatro? Historinha. Namoro? Historinha. República, ménage à trois, foto no muro, casamento na Igreja de uma filha de ex-hippies, poema compartilhado, cover de Ro Ro...  (aliás, que verve falta na voz daqueles rapazes? Como eu queria um Marcelo todo Veronez ali.) Historinha.

 Você topa? E se der errado? A gente mantém o contato visual?  Quem vai primeiro? A gente vai junto. Um de cada vez. Todo mundo junto. É pra durar? E se sambássemos na cara de todo mundo? E a nossa cara? Quer namorar conosco? Nossa cara aguenta? Tá brincando? Isso não existe. A cara sambada? Nosso primeiro single? Da pra curar depois? Me cura? Te curo? Me cuida. Te cuido. Como é que faz?

Sempre gostei de historinha. Uma vez sentada com Marina- Byron-Lipe- Marcelo no Bolão, Marina teve uma discussão com Byron sobre João Gilberto e MC Catra. E eu achei lindo e divertido. Passou um carro tocando funk, e Byron soltou um “queria ter um carro com som pra colocar João Gilberto bem alto” e Marina disse: Byron! Vai tomar no cu! Eu sou mc catra e ponto! A discussão rendeu mais que isso, mas por trás disso tudo tá a historinha, tá o discurso. Marina não escuta MC Catra, mas por que todo mundo tem que escutar João Gilberto? E é só isso que tá por trás dessa discussão? A gente, tão debochado, a gente ainda preso e apaixonado pelo passado e pelos antepassados, a gente que de tão mal passado ainda sangra, até que ponto isso é só sobre musica?  Ainda desconfio. Ainda quero mais.

Nesse mesmo dia, após a discussão eu soltei um “eu gosto mesmo é da historinha”, me referindo a cantores, cantoras, bandas, seus passados, suas mortes, seus amores, suas tentativas, body drama, Elis chorando enquanto canta, ou Elvis errando a letra, muito suado e muito gordo, Caetano improvisando um discurso sobre a juventude que diz que quer tomar o poder. (Alex, Beto e Zé ensaiando musicas na sala de casa sábado passado. Eis que nasce pra mim Glorios Tarcísios.)

Mas quando eu disse isso, Marcelo me arregalou os olhos e disse: “que isso, o que eu gosto mesmo é da musica!”, deve ter ficado muito decepcionado comigo naquele momento. Mas acho que eu não consegui me explicar, hoje eu acho que ele entende o que eu queria dizer. Mas discussões etílicas não são articuladas, são exclamações, manifestos que se perdem, ou perdem verdade ou vontade quando estamos lúcidos no dia seguinte. É cheio de: Nunca! Jamais! Agora! E não tem quizas, quizas, quizas. Por que senão de que vale ficar bêbado se a gente não pode ficar imperativo e convencido, falar merda sem superego... A vida trata de relativizar tudo depois. Tô falando demais. Já ultrapassei meus caracteres e nem comecei ainda.

Cheguei em casa sábado passado, eram umas nove e meia. Abri um conhaque, peguei meu caderninho e fiquei escrevendo enquanto os meninos, os Glorios Tarcísios ensaiavam.

De repente me pego emocionada, comovida como o diabo, seja pelo conhaque ou pelo que estava ao meu redor, (sou uma pomba e nunca neguei),  Glorios Tarcísios é e será banda com verve!(sempre quis usar verve em uma crítica, ou escrever uma crítica para usar a palavra verve) Com vontade de historinha.  Uma ironia 80, diferente da ironia adquirida das novas gerações, que às vezes nem funciona. A ironia dos Glórios desdenha o próprio amor, mas ele tá lá, pulsando, quanto maior o sarcasmo maior a fé. Ironia fake é covardia! Citando o grande escritor Eder Rodrigues que perfuma muito do que escrevo e faço em teatro, “Calvino esqueceu de explicar, que antes de beber dos Clássicos é preciso no mínimo fazer umas embaixadinhas! Então cadê a paixão?”

Rebordosa morreu, já enterraram a porra louca. “Depois do muro a gente não quis mais droga.” Diria João e Ana Lee pra mim, fazendo hora comigo nesse mesmo dia. E eu já tava falando alto demais. Mas é que eu tava adorando tudo.

Enfim não sei nada de música. Sou só amante, amadora. Minha Medéia ainda nem deu conta de matar os filhos. Enquanto o carro do sol não chega, eu redescubro e reafirmo que uma banda na nossa idade não é absurdo. É foda.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Dizem que no principio era o verbo, que se fez carne e a costela fez-se mulher

Dizem que o primeiro homem curou a ferida que a mulher tinha no meio das pernas copiando os animais. Dizem que Zeus castigou o andrógino fazendo-o viver atrás do seu pedaço.
Dizem que no tempo de Medéia, o amor não existia.
Dizem que quando Rei Arthur uniu o mundo pagão ao cristão o amor ficou cortês.
Dir-se-ia que pende da escuridão da noite como brinco da orelha de um etíope, diria um Romeu.
Dizem que quando Pero Vaz Caminha descobriu que as terras brasileiras eram férteis e verdejantes, o amor ficou mestiço.
Dizem que no tempo de Goethe, as mulheres desmaiavam quando o amor ofegava seu peito apertado em corpetes da moda.
Dizem que o contratador levou o mar pra Xica, que Abelardo e Heloisa estão enterrados juntos. Que Marie Farrar, nascida em abril, matou o filho e deixou no lavatório.
Dizem que quando o homem foi à lua e a mulher queimou o que apertava seu peito. O amor virou livre. Dizem que idade média a mulher foi queimada pelo que apertava o seu peito. E a lua, essa inconstante, era mágica.
Dizem que sou feminista demais.
Dizem que o amor é tudo que precisamos.
Diz que traz a pessoa amada em três dias.
Dizem que Ro rô empurrou Zizi da escada.
Dizem Jung amou uma histérica.
Dizem que já estou sã da loucura que havia em sermos nós.
Dizem que as bruxas de Salem estavam fazendo a brincadeira do copo.
Dizem que o antropólogo Claude Levi Strauss detestou a Bahia de Guanabara.
Dizem que o útero caminha no corpo da mulher
Dizem que em Passárgada sou amiga do rei.
Dizem que sou estrangeira.
Mas quando eu vim parar esse mundo eu não atinava em nada.


terça-feira, 7 de maio de 2013

sandia teima (escrito em abril)


Eu não me poupo. Eu não me pouco. Eu sou fominha. Topo qualquer parada. Eu sujo meu nome.  Eu excedo. Eu repito. Eu poluo a vida com coisa que a idade devia ter me ensinado a não repetir. É burrice?
Eu não me poupo. Eu não me pouco. Eu não fujo. Eu não preservo. Eu não engulo.
Eu choro. Bato o pé. Pago de tirana. Dou piti. Faço cena. Eu grito. Eu machuco. Mas não precisa ter medo de mim.
Eu escolhi. Eu topei. Eu trombei com essa parada e não largo mais o pé. O nome eu limpo. A vida eu respiro, eu dô, aconteço a qualquer custo.
Eu não me poupo. Eu não me pouco. Eu me doo. Eu te doo. Love me do.

Dor de cabeça! Dor de cabeça! Tá gritando dor de cabeça!
Eu quero tomar uma cerveja, escrever chover alguma coisa. Cadê o asfalto Silvia?
TPM que depois dos trinta me deixa assim, desperdicei uma insônia olhando para o teto.
Desperdicei uma insônia olhando para o céu, deitada na rede, pensando, meu deus eu estou sem criatividade...
Desperdicei uma insônia olhando a insônia passar
Minha Medéia fracassa, mas não morre.
Meu deus! Meu útero! Meu tendão de Aquiles de carnaval. Meu carro do sol.
Estou fora da contracena.
Estou fora da contracena.
Sou só eu e meu nariz refletindo com a luz do pinbim.
Meu interlocutor
Meu interlocutor
Meus filhos. Meus... Meus f-i-l-hos.
Sou só eu e meus gritos de guerra.
Meu lamentos velhos.
Atrás da porta com o megafone no buraco da fechadura.
Dois anos de balzaca
Dois anos de balzaca.
Desempregada
Desempregada
Bicho adoentado.
Bicho de coxia.
Bicho.
Hoje eu estou assim
Amanhã, eu escorro.
Amanheço sem dor.
Mole de piroxicam.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

negro amor


Nota da adaptadora:
Andam dizendo por aí. Eu ando dizendo por aí. Que as referencias estão antigas, que eu queria estar no palco, que é tudo tão velho que agente tem que subverter agente mesmo pra refazer  esse 2008 guardado na gente.
Que as coisas repetem, que agente tá velho. Que os moralistas estão chegando. Que não existem (existem!!!) historinhas novas. Meu corpo não é o mesmo.  Mas minha buceta fala. Eu dô conta! Eu suporto!  As ideias estão aí. Eu grito, eu rolo. Eu amo. Eu tô triste. Eu quero chafurdar a dor desse ferro enfiado fundo na minha garganta. Eu tô viva! É tudo uma grande farsa, no fim sou eu sozinha catando meus pedaços no chão. No fim somos nós sozinhos catando nossos pedaços no chão. Nós não. Só eu. Pela descriminalização do EGO. AHAHAHAHHAHAHAHHH.

doídos


Desfocados e dispostos
Reconsiderados e sortidos
Reinventados e diversos
Espalhados e repetidos
Reencontrados e cheios de desvio
Achados e assovios
Antigos e perdidos
Açambarcados e resistidos
Apoderados e aflitos
Renegados e bonitos
Apoderados e bandidos
Realistas e anacrônicos
Amados e sentidos
Apoderados e despidos
Obsoletos e rebeldes
Radicais e ambíguos
Tropicais e propícios
Apoderados e amigos
Amantes e irresponsáveis
Bandeirosos e famintos
Recomeçados e infinitos
Reeditados e reversos
Reconfigurados e ex-banidos
Deseducados e solícitos
Companheiros e doídos
Desencontrados e partidos.
Doidos.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

antigo discurso de formatura


za spinash pina putô
verfrendungsefekt tuto
mestrÊ parle labuto
shila pulla pila auá

ja fula la gran diva
ya siempre sula pita
magricela folita
lalalalalalala

ja fula prostituta
ja fula pacatora
ja fula amatora
tula tula tula auá

senhora picadura
necesité tavaié
trabajo beautiful
banananananana

yo se yo se
yo se te quâo difite
vivere deste ofite
jamé vo se dottore
qué voy hacer? jenecepá....

Ela anda com livros debaixo do braço. Namora-os. Ela mata serviço na biblioteca. Namora-os. Ela empilha livros e namora-os.
Ela boicota o pensar. Ela dói de não saber. Ela namora livros. Ela mal tem cabeça.
Ela é dispersa, ela some em fumaça. Ela tem trinta anos. 31. Não mudou nada.
Ela tinha quinze e andava com livros debaixo do braço. Namorava-os. Ela matava aula na biblioteca. Namorava-os. Ela empilhava livros e namorava-os.
Ela sequer entende o que é. O que foi.
Os quinze não vão embora, os 17, depois viver um siglo.
Ela só lembra, e repete. E namora. Só namora.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Entrevista com Silvia

Você é: eu sou a verdade do cerrado.
 
Critica seus próprios trabalhos?  
Na verdade meus trabalhos não passam de uma análise extremamente produtiva, não no sentido marxista de produtividade, mas levando em conta a produção em excesso de fumaça do cigarro industrializado. Levando mais em conta ainda o fato de que os críticos tem medo de mijar fora do penico, e cagam de medo do palco. E o palco nada mais é que a síntese da gloria e do ridículo uma vez que o glamour da echarpe de Duncan a matou. Mas esse é o preço que se paga por querer dirigir um fusca (beetle) tradicional e não um carro com direção hidráulica. O fusca morre na baliza... Mas, continua um fusca, e não um carro de direção hidráulica. Não, não é confortável. Viver é desconfortável demais. 

O que é o amor?
E eu sei lá o que é o arroz? Um grão, que vira pão, is all you need, mas nem só de pão vive o homem, e independentemente do arroz, do amor e do português, a língua lusitana é a nossa língua pátria, o tupi é só opcional, o nhenhenhê é uma palavra tupi que diz bastante sobre o amor em alguns momentos, mas não o define. Bem como saudade que provavelmente é um sentimento universal, mas só existe em português. O que diz muito sobre a MPB, já que a partir do momento em que a saudade foi incorporada em solo brasileiro, o sangue lusitano com certa dose de lirismo além da sífilis, claro, traduz-se a miscigenação da palavra em dor de corno. 

As conquistas interferem na vida pessoal?
Eu vim parar aqui como puta da embarcação, com a conquista eu larguei as loucuras com a tripulação e fui morar com as índias. Quando Pero Vaz Caminha descobriu que as terras brasileiras eram férteis e verdejantes, e escreveu uma carta ao rei minha vida pessoal já tinha sido interferida. De maneira rizomática, as pessoas interferem diretamente na sua linha da vida. 

Qual o maior momento da carreira?
Amanhã, quando as armas chegarem, ninguém vai me impedir de cantar don’t smoke in bed num piano de cauda. Ou será que bee vai cantar pra mim? Não olhe pra mim, eu vou em frente, eu sigo em frente, não me pegue no braço, não me venham com a metafísica, eu preciso andar sozinho, não sei por onde vou, só sei que não vou por aí. 

Quando você sabe que vai dar certo algum trabalho?
Quando a lua estiver na sétima casa, e júpiter se alinhar com marte, a paz vai guiar os planetas e o amor verá as estrelas. E tudo vai dar certo, vai dar pé, no woman, no cry. A definição do work in porgress foi popularizada por Raul em “tente outra vez”, e ressignificada pela rede globo na campanha de fim de ano de 92.

O seu trabalho é a coisa mais importante de sua vida?
Vivo sem trabalhar há anos. O que significa que meu trabalho é não trabalhar para alguns, mas tenho incessantemente sofrido os augúrios da mente ociosa na presença do diabo.

O que você mais deseja atualmente? Um contrabaixo,um fusca e uma banda.

Como as pessoas podem interferir no seu trabalho? Arrombando-me. Eu sou dramática.

Quais os profissionais da arte, moda, esportes, educação, saúde e afins você mais admira pela natureza profissional e pessoal?
Hum...

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Carta de amor para velhos amigos

Carta de Amor para velhos amigos.

eu tô gritando desde o meu quartinho com uma vontade de me reencontrar.

eu tô gritando desde o meu quartinho uma vontade de ver você, e você, e você, e você.

e nós. Nós duas.

eu ando perdida, estafada de algum passado. não tenho dado conta de sentar aqui e voltar a gritar. eu só sei gritar. a crítica teatral belorizontina não gosta. sinto muito. preciso gritar.

sinto uma dor que não sei expressar em conversas, que acabam se transformando em nada.

talvez seja nada.

talvez seja tudo.

pessoas perdem seu amores, pessoas perdem suas esperanças, geração noventa perdida seguindo sem fé nenhuma. ela está tentando. estamos tentando, preciso dizer.

já disse isso tantas vezes... vou um dia parar de dizer?

se eu chutar esse balde, você vai estar lá pra me proteger?

quem vai ser minha Pietá?

meu amigo, queria te ser conforto, te dar sede de conversas. minha cara Bee, amo-te tanto. O amor é assim mesmo. é amor. não é desamor. é amor.

amor.

queria te dar momentos bons. queria te dar frio na barriga, ansiedade de amanhã. como a gente sempre se deu. seja em tempos de cor âmbar. seja em tempos cor lavanda.

somos nós há tanto tempo. somos nós. gritando aqui.

geração noventa: talvez duvidar seja a melhor maneira de crer, mocinho.

queria te encher o pote de fé. a vida e as ideias estão aí. estamos aí. fevereiro o bloco volta.

uma hora eu volto a correr. a gritar. rolar no asfalto. sem quebrar o pé. estamos aqui. construímos nosso lar, entre nós, nosso laços de amor afeto preguiça descrença e vontade de seguir juntos. vontade de dar pé. vontade.


é só isso. eu desde o meu quartinho te grito por que quero te encher de carinho, e de boas conversas. conversa de adolescente cheia-de-mundo-inteiro-pela-frente, conversa de adultos de coração-duro-porem-apaixonados-ainda e por isso tão amargurados dia sim dia não. coração indignado e insatisfeito, peito sendento, insistindo, fazendo comédia conosco, rindo da ferida. vamos envelhecer de mãos dadas e apertadas. tem coisa que não sara. não quero me curar do nosso amor.

quarta-feira, 21 de março de 2012

qual é? só porque eu tenho um blog mulherzinha? ah, meu cu.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

a modelo é viva parte II







Pra que esse nariz tão grande? O artista está ausente? De quem são essas rugas? Gastei já a primavera do meu tempo? Quem é você? Será mais nobre em nosso espírito sofrer pedras e setas com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja, ou insurgir-nos contra um mar de provações, e em luta pôr-lhes fim? Quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha? I wanna be a rock star? O mesmo personagem? As facas Guinsu conseguem cortar as meias Vivarina?
Será que eu vou virar bolor? E o que eu faço com meu umbigo? E eu sei lá o que é o arroz?
Que sei eu do que serei eu que não sei o que sou? Posso me levantar um pouco? Nada de novo senhor Axelrod Silva? Fazer algo completamente diferente é vaidade de ator ou é o contrário? Quero ficar a mercê da platéia? Ou jogar cocô na audiência como o chipanzé? Uma dramaturga que só escreve pra si mesma é o que? Atriz ou egocêntrica? ou isso quer dizer a mesma coisa? O-verdadeiro-ator-é-o-que-se-doa-inteiramente-ao-personagem?[1] A artista está presente? Um artista não deve se apaixonar por outro artista?
Um artista deve ser erótico? O que faço com meus papéis? Where´s my mind? What else should I be? What can I say? Que hecho yo para merecer eso? A modelo é viva?[2] Tem gente que ainda grita que tudo vai dar pé? Um ator deve sofrer? Aquilo é verdade absoluta? Vai dar pé? Cadê meu disco voador? O roque errou? Que camisa eu visto? Que bandeira eu dou? Que refrão eu decoro? O que é isso, meu amor? Será que eu vou morrer de dor? E agora, José? Onde é que está meu rock’n roll? Pra que esses olhos tão grandes? Toc toc? Quem é? Aonde tudo isso leva? Não pode adivinhar? Você falou comigo? Tem mais alguém aqui? Quem? Como vou saber? Porque pergunta? Fala sério? Isso foi retórica? Dom Sebastião virá? Ruiseñor! Ruiseñor mio, aun cantas?
E se eu perder a pose?

[1] A modelo é viva. E ela dói. Dói mesmo. Não sou modelo pra ninguém. Vai lá e rascunha algo melhor de mim. Consegue? Também não? Pois é. O barco é o mesmo. Mas ali na nave sozinha, eu brinco de não ser. E não é assim. A todo o momento gritando pra ser e ali... eu sou?
[2] Marina Viana é atriz em Belo Horizonte. Tem o nariz grande. Sem nenhum milhão no banco, nenhum sucesso de bilheteria, nem um milhão de cópias vendidas (!?). É uma profunda conhecedora de nada. Só de Beatles. Mas quem não é? Posa como modelo vivo na Escola de Belas Artes pra ajudar no orçamento da casa. Atriz e “modelo”, formada na UFMG em Artes Cênicas, escreve manifestos e plagicombina canções alheias. Também se formou em História, mas nunca exerceu a profissão...